Uma equipa internacional de cientistas analisou o aumento da temperatura no início do séc. XXI tendo observado que a taxa de aumento da temperatura média do nosso planeta foi inferior ao previsto, tendo em conta o aumento da concentração atmosférica de CO2. Este facto deve-se, em parte aos ciclos naturais do clima.
Este retardamento da subida da temperatura no passado mais recente vem alterar a trajetória prevista de aquecimento do nosso planeta no futuro, e que tinha sido previamente calculada com base no aumento da temperatura ao longo do séc. XX.
De acordo com as estimativas anteriores, quando a concentração atmosférica de CO2 duplicasse relativamente aos níveis anteriores à Revolução Industrial (entre 2050 e 2070), a temperatura da Terra aumentaria 1,6 graus Célsius. No entanto, incorporando os dados dos últimos dez anos, os autores do novo estudo calculam que esse aumento não superará os 1,3 graus Célsius.
Esta nova estimativa resulta num ganho de tempo precioso para evitar o pior cenário em termos climáticos, associado a um aumento da temperatura global superior a dois graus Célsius, transformando-o num objetivo mais acessível.
“Antes deste [estudo], muitos de nós estavam muito pessimistas, [considerando que] o que quer que fizéssemos, superaríamos o aumento de dois graus Célsius”, afirma Myles Allen (Universidade de Oxford), que assina o artigo em último lugar. “Esta já não é uma conclusão inevitável”.
O coautor Piers Forster, coautor do presente estudo (Universidade de Leeds), concorda. “Se as estimativas anteriores fossem verdadeiras, manter o mundo abaixo do [aumento] de dois graus Célsius teria sido quase impossível, independentemente da dimensão dos cortes nas emissões”, afirma. “Agora, parece que temos uma hipótese, por isso devíamos aproveitá-la”
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