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17 de fevereiro de 2014

Grande degelo do Árctico liberta parasita mortal para mamíferos

O acelerado degelo do Árctico, em consequência do aquecimento global, abre caminho a inéditos movimentos migratórios de agentes patogénicos, que representam um risco para os mamíferos marinhos e, potencialmente também, para os seres humanos, alertaram os cientistas.
«Com as mudanças climáticas, percebemos que existe uma possibilidade sem precedentes de que os agentes patogénicos migrem para novos ambientes e causem doenças», disse Michael Grigg, parasitólogo do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
«O gelo é uma enorme barreira ecológica para os agentes patogénicos, que ao aumentar as temperaturas no Árctico conseguem sobreviver e aceder a novos anfitriões vulneráveis que não desenvolveram imunidade contra estes micróbios e parasitas por não terem sido expostos a eles anteriormente», disse, durante uma conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), celebrada em Chicago.
Uma nova estirpe do parasita «Sarcocystis pinnipedi», até agora sequestrada no gelo, emergiu recentemente causando uma ampla mortalidade em focas cinzentas e outros mamíferos ameaçados no Árctico, como leões marinhos, morsas, ursos polares e ursos pardos no Alasca e até no sul da província canadiana da Columbia Britânica.
Outro parasita que está vulgarmente nos gatos, chamado «Toxoplasma gondii», foi encontrado em baleias brancas (belugas) em águas do Árctico, algo nunca visto, disse o cientista.
A descoberta, há alguns anos, provocou um alerta sanitário nas populações de esquimós que tradicionalmente comem a carne destas baleias, acrescentou.

10 de fevereiro de 2014

Imigração: Imprensa europeia questiona consequências do referendo suíço

A imprensa europeia questiona-se hoje sobre as consequências do sucesso do referendo suíço contra a imigração, nomeadamente as relações da confederação helvética com a União Europeia.
O "sim" ao endurecimento da política de imigração suíça, que prevê restrições que abrangem cidadãos de países da União Europeia, ganhou com 50,34% dos votos, num referendo em que a participação superou os 50%.
Em França, o jornal Les Echos invoca "um resultado com consequências económicas difíceis de prever".
O jornal francês Libération escreveu que com esse resultado, "os suíços fecham as fronteiras". O politólogo Jean-Yves Camus refere numa coluna de opinião que "o egoísmo económico é a principal componente deste voto". "Os Suíços votaram para a instauração de quotas", anuncia por seu turno Le Figaro.
Para o jornal L'Humanité, "a extrema-direita de Blocher conseguiu fazer adoptar "uma drástica tampa na imigração".
"Imigração em massa: os suíços dizem stop", resume o jornal gratuito Metronews.
Na Alemanha, o jornal Die Welt estima que "a Suíça deve rever a sua proximidade com a UE". "Continuar assim não é uma opção. O (partido nacionalista) UDC vai aprender como é difícil separar os aspectos positivos dos contratos bilaterais com Bruxelas dos aspectos indesejados", sublinha o diário.
Já o Berliner Zeitung mostrou-se mais compreensivo: "Os que criticam o medo de serem invadidos por estrangeiros deveriam pelo menos reflectir sobre o facto de na Suíça, a percentagem de estrangeiros ser, com 23% da população total, quase três vezes superior à da Alemanha."
O belga Le Soir apresenta um título provocatório: "Os suíços para os europeus: fora!". O jornal francófono nota que "toda a estrutura dos acordos bilaterais da Suíça com a Uni
ão Europeia vai desmoronar-se".
Em Espanha, o El Pais publicou na sua página de Internet que "o resultado vai forçar a União Europeia a repensar a sua estreita relação com a Suíça e pôr fim à livre circulação de pessoas em vigor desde 2002". Este referendo "abrirá uma crise política séria entre os dois interlocutores", lê-se.
Na sua versão em papel, o El Pais publica um editorial intitulado "Consequências perversas", no qual afirma que "a vitória dos opositores à imigração em massa na Suíça terá consequências para todos na Europa".
"Não apenas isso colocará em questão o acordo sobre a livre circulação de pessoas estabelecido com a UE, como reflecte também a agitação populista e xenófoba que percorre o velho continente a menos de três meses das eleições europeias". "Trata-se do pior resultado possível para a maioria dos políticos e empreendedores suíços".
Para o jornal ABC, este referendo "coloca em perigo os laços (da Suíça) com a União Europeia". "Este resultado surpreendeu a classe política e representa um duro golpe para a política europeia do Conselho Federal, que deve agora repensar as suas relações políticas com a UE", escreveu.