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29 de julho de 2013

Antárctida: oceano mais quente provoca degelo na base das plataformas

O aquecimento das águas oceânicas está a provocar o derretimento das camadas de gelo da Antártida da parte inferior para a superior, revelou o primeiro grande estudo das volumosas plataformas de gelo flutuante.
O novo estudo vem dizer que a maior parte da massa perdida nas plataformas de gelo acontece na base e não no topo. “O nosso estudo mostra que o degelo inferior causado pelas águas do oceano é maior e isso deve mudar a nossa perspetiva sobre a evolução da camada de gelo num clima mais quente”, disse Eric Rignot, principal autor do estudo.
Ao todo, as plataformas da Antártida perderam 1.325 triliões de Kg de gelo, entre 2003 e 2008, através deste tipo de derretimento – enquanto 1.089 triliões de Kg foram perdidos devido à formação de icebergs, revela a France 24.
Os investigadores também descobriram que as três plataformas de gelo gigantes que compõem dois terços de toda a área gelada da Antártida apenas registam 15% deste tipo de fusão. Perceberam ainda que as plataformas derretidas estão distribuídas de forma desigual por todo o continente.
As plataformas de gelo tendem a perder massa duas vezes mais depressa do que o gelo antártico em terra durante o mesmo período. “O derretimento de uma plataforma de gelo não significa necessariamente que esta esteja a decair; ela pode ser compensada pelo fluxo de gelo do continente”, disse Rignot.
Acontece que numa série de lugares em torno da Antártida, as plataformas estão a derreter demasiado depressa e, como consequência, os glaciares e todo o continente estão também a mudar.
Os cientistas defendem que o conhecimento a respeito do derretimento das plataformas vai ajudar a melhorar os proje
tos de reação da Antártida ao aquecimento do oceano e aos aumentos dos níveis do mar.

27 de julho de 2013

Novo chip consegue dessalinizar água do mar de forma simples

Um avanço recente na tecnologia de dessalinização tem levado ao desenvolvimento de um novo método de remoção do sal da água do mar, a uma velocidade de um nano litro de cada vez. Tornar o método mais eficaz, barato e energicamente eficiente poderá permiti-lo contornar o problema da escassez de água para consumo.
Transformar a água salgada em potável pode determinar a diferença entre a vida e a morte de muitas pessoas, em muitas partes do mundo. Já há métodos de dessalinização disponíveis, mas pô-los em funcionamento implica muito dinheiro e energia.
Felizmente, graças ao trabalho de químicos da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e da Universidade de Marburg, na Alemanha, está a nascer uma nova tecnologia promissora – que poderá eventualmente ser usada em dispositivos simples, portáteis e com baixos consumos de energia.
O novo método utiliza um “chip de água” e um campo elétrico responsáveis por separar os sais da água do mar.
Os investigadores aplicam uma pequena voltagem (3.0 volts) a um chip de plástico cheio de água do mar. Este chip contém um microcanal com duas ramificações. Na junção do canal, um elétrodo neutraliza alguns dos iões de cloreto presentes na água para criar uma “zona de depleção de iões” que aumenta o campo elétrico local, comparativamente com o resto do canal.
Essa mudança no campo elétrico é suficiente para reorientar os sais para uma das ramificações, permitindo que a água dessalinizada passe através da outra, explica o Treehugger.
O método atual apenas consegue remover cerca de 25% dos sais da água, mas os investigadores acreditam que chegarão a uma taxa de remoção de 99%, o necessário para a produção de água potável.

23 de julho de 2013

Aquecimento global perigoso pode ser revertido

O aquecimento global pode ser revertido mediante a combinação da combustão de árvores para a geração de energia e da captura e armazenamento subterrâneo de dióxido de carbono, segundo uma análise feita por cientistas. Eles avisam, contudo, que tentar esta abordagem depois de as temperaturas atingirem níveis perigosos pode ser problemático, devido ao número reduzido de árvores disponíveis para bioenergia nessa altura.
Segundo a equipa da Chalmers University of Technology, na Suécia, a bioenergia e o método de armazenamento de CO2 são as formas mais eficazes de combater as emissões de gases para a atmosfera. Tal abordagem poderia compensar, e até mesmo reverter, outras emissões de combustíveis fósseis.
O principal autor do estudo, Christian Azar, defende que o método também poderia ajudar a diminuir as temperaturas no planeta. Para isso, deveria ser combinado a uma grande expansão das energias renováveis ou nucleares, a fim de se reduzir as emissões a quase zero, explica o Grist.
A tecnologia de armazenamento subterrâneo de CO2 foi testada com sucesso em pequena escala, mas ainda não está comprovada para uma escala comercial. Os ambientalistas questionam os benefícios de queimar árvores para a geração de energia, argumentando que em alguns casos essas emissões podem ser mesmo piores do que as do carvão.
A verdade é que um clima mais quente pode alterar profundamente os sistemas meteorológicos e ambientais da Terra. Existe mesmo a possibilidade de as mudanças poderem restringir a capacidade de produzir a biomassa necessária para a redução do CO2 na atmosfera.
A redução das emissões de carbono a zero é outro grande desafio, dado o histórico de esforços feitos nesse sentido. “A Agência Internacional de Energia anunciou recentemente que a quantidade média de dióxido de carbono produzido para cada unidade de energia gerada pouco mudou no período entre 1990 e 2010”, revelou Azar.
 
 

19 de julho de 2013

Professores de Geografia pedem acesso ao superior com base nas notas da 2.ª fase

- Docentes criticam teor da prova que quase 20 mil alunos realizaram na primeira fase dos exames nacionais.
 
- A média a Geografia na 1.ª fase ficou-se pelos 9,4 valores numa escala de zero a 20.
 
A direção da Associação de Professores de Geografia (APG) pediu nesta quarta-feira que os alunos do ensino secundário que hoje estão no 11.º ano possam usar em 2014, para efeitos de candidatura à primeira fase do ensino superior, a classificação que obtiverem na prova que fizeram ontem, na 2.ª chamada de exames. Esta última prova, que a APG considera ter sido “acessível e dentro dos parâmetros habituais”, foi realizada por 5350 alunos; a primeira, que a APG critica, foi feita por 19.757 estudantes.
Em causa está o facto de a primeira fase de exames ter passado a ser obrigatória para todos e de a segunda ter ficado reservada a casos excecionais

Aquela alteração fez com que os alunos que pretendem candidatar-se a cursos que têm, por exemplo, Geografia como prova de ingresso, passassem a ganhar muito pouco em melhorar a nota na segunda fase de exames. Isto porque o resultado obtido permite alterar a classificação interna, mas só pode ser usado na candidatura ao ensino superior na segunda fase, quando a maioria das vagas já estão preenchidas.

Hoje, Emília Sande Lemos, dirigente da APG, admitiu que “teria sido preferível” ter divulgado o apelo (que tem data de dia 12) a tempo de todos os alunos se poderem inscrever na segunda fase de exames. Explicou que, por um lado, “a associação pretendia que o comunicado chegasse ao Ministério da Educação e Ciência antes de ser tornado público”. “Por outro lado”, disse, não se lembrou “de o fazer antes”.

Caso o MEC acedesse ao pedido da APG, os alunos que foram à primeira fase de exames, em que a média baixou de 10,3 para 9,4 valores, ficariam em desigualdade de circunstâncias face aos que se inscreveram para a segunda fase. Isto, por terem duas oportunidades e por a segunda prova ser, segundo a APG, “acessível”. Algo que a dirigente admite mas pelo qual diz não se sentir “culpabilizada”: “Apenas quisemos ser pedagógicos e chamar a atenção para os problemas da prova da 1.ª fase”, sublinhou.

16 de julho de 2013

Electricidade produzida por fontes renováveis bateu recorde na primeira metade de 2013

A produção total de energia elétrica a partir de fontes renováveis atingiu níveis recorde no primeiro semestre de 2013, chegando a 72% (um aumento absoluto de 34% em relação aos 38% verificados no período homólogo de 2012). Os dados são da REN (Redes Energéticas Nacionais.               
Segundo a Quercus, este aumento deveu-se, por um lado, à “significativa potência instalada de renováveis, mas principalmente às condições climáticas verificadas, num ano que até agora tem sido mais húmido do que o normal, permitindo um maior recurso à utilização de energia hídrica” –e também mais ventoso, resultando numa maior produção eólica.
A produção da eletricidade de origem renovável em regime especial (a PRE-FER, que representa toda a produção renovável exceto a grande hídrica) aumentou, tendo sido responsável por 49% de toda a eletricidade produzida em Portugal Continental entre Janeiro e Junho de 2013.
Na eletricidade de origem fóssil, houve um recuo no uso de carvão da ordem dos 22%, o que, aliado ao muito maior peso da produção renovável, conduziu a uma redução de emissões entre os dois primeiros semestres de 2012 e 2013 de cerca de 1,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono (25% inferior em 2013 comparando com os primeiros seis meses de 2012).
“Apesar das centrais a carvão apresentarem baixos níveis de eficiência energética e elevadas emissões de dióxido de carbono (CO2) por kWh produzido, o elevado excedente de licenças de emissão de CO2 à escala europeia, resultante em parte da crise económica, traduz-se num preço do carbono muito mais baixo do que seria expectável”, explica a Quercus.
Na verdade, isto diminui os custos de utilização destas centrais, favorecendo-as em relação às centrais de ciclo combinado a gás natural, muito mais eficientes, com menores impactes ambientais e quase paradas nos últimos meses. De destacar ainda que Portugal exportou mais 50% de eletricidade do que importou, o que é uma situação completamente contrária à verificada em 2012.
 
Consumo de eletricidade diminui mas não tanto como PIB
 
Enquanto ao longo de 2012 houve uma redução do consumo de eletricidade da ordem de 2,8% em relação ao ano anterior, no primeiro semestre de 2013 a redução foi menos acentuada (-1,7%, por comparação com igual período de 2012), estando o produto interno bruto (PIB) a recuar 2,7% de acordo com as estimativas mais recentes para o ano de 2013. “Este é um sinal preocupante, pois um dos objetivos em termos de eficiência energética é assegurar que a intensidade energética na eletricidade diminui, isto é, a energia elétrica necessária para gerar uma unidade de riqueza é cada vez menor, estando Portugal atualmente com a tendência inversa”, continua a ONG ambiental.
A Quercus considera que Portugal tem um enorme potencial para o aproveitamento das energias renováveis, em particular aquelas com menor impacto ambiental, como é o caso da energia solar, um recurso abundante no nosso país, e cujos custos de investimento e exploração têm vindo a descer de forma lenta. Tal facto, aliado a uma eficiência e poupança energéticas significativas que devem ser incentivadas em sectores como o dos transportes, serviços e residencial, podem assegurar um menor dependência do exterior e uma maior sustentabilidade.
 

12 de julho de 2013

Avião solar termina viagem pelos Estados Unidos no domingo

No próximo domingo, às duas das manhã (hora local), o avião solar dirigido por Bertrand Piccard e André Borschberg chegará finalmente ao seu destino final, Nova Iorque, vindo de Washington. Então,  terá cumprido dois meses de viagem entre São Francisco, na costa oeste norte-americana, até à Grande Maçã, onde certamente será recebido com grande pompa.
Depois de ter batido vários recordes continentais e intercontinentais, ainda que em distâncias curtas, o Solar Impulse consegue assim o seu maior feito: atravessar os Estados Unidos da América utilizando, quase unicamente, a energia solar.
O avião tem 11.628 células solares nas suas asas, que são capazes de fornecer energia aos seus quatro motores de 10 cavalos. A máquina tem a envergadura de um Airbus A340 mas, surpreendentemente, pesa apenas 1.600 quilos.
Os dois colegas dizem repetidamente que este avião não pretende, porém, criar uma nova vaga de aviões movidos a energia solar. Ele pretende chamar a atenção para coisas mais fazíveis e curto e médio prazo, como melhorar a eficiência energética nos veículos terrestres ou nas nossas casas.
“É claramente uma encenação. Uma encenação para chamar a atenção, mas impressionante”, explicou John Reiolly, co-director do programa do MIT especializado em alterações climáticas.
Com uma velocidade média de 73 km/h, o Solar Impulse é infinitamente mais lento que um avião comercial, mas também mais ecológico. Ele utiliza o mesmo combustível que uma scooter, por exemplo. E apesar de depender do Sol para voar, ele pode passar toda a noite sem utilizar combustível, com o armazenamento de energia.
A união entre as costas leste e oeste dos Estados Unidos serviu de aquecimento para o grande teste final: uma volta ao mundo em energia solar. No início do ano, os dois inventores e pilotos queriam fazê-lo já em 2015. Com o sucesso da viagem norte-americana, a nossa previsão é que o Solar Impulse percorra o mundo no próximo ano.

10 de julho de 2013

Cada utilizador do Facebook gerou 3,5 Kg de CO2 em 2012

Cada um dos 1,1 mil milhões de utilizadores do Facebook é responsável pela emissão de 3,5 Kg de CO2 ao partilhar fotos, enviar mensagens e assistir a vídeos. A informação provém da mais recente atualização ambiental da gigante das redes sociais.
A empresa anunciou na semana passada que as suas emissões por utilizador aumentaram 18% entre 2011 e 2012. Segundo o Business Green, isto significa que cada utilizador teve um impacto anual de emissões de carbono equivalente à energia necessária para fazer 12 cafés com leite ou 36 copos de vinho.
Em comunicado, o Facebook atribuiu o crescimento das emissões ao aumento dos utilizadores. Disse também ter desenvolvido um método mais preciso de medir as suas emissões, onde pesa a energia usada para alimentar os seus centros de dados.
O objetivo da empresa é debruçar-se sobre avanços eficientes e inteligentes que lhe permitam, a longo prazo, controlar e diminuir esta pegada – já que, no curto prazo, a situação não parece ter grande solução.
Os números mostram que as operações do Facebook em 2012, incluindo viagens e centros de dados, foram menos alimentadas a energia limpa e renovável do que em 2011 – caindo de 23% para 19%. Já as atividades fornecidas por energia movida a carvão aumentaram de 27% para 34%. O uso de energia nuclear e gás natural também cresceu no ano passado.
Alguns grupos ambientalistas já criticaram o Facebook pela sua forte dependência da energia a carvão, mas a empresa foi recentemente aplaudida pelo compromisso de reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis em detrimento das energias renováveis.

7 de julho de 2013

Barco solar vai estudar as mudanças climáticas no oceano

O barco movido a energia solar MS Turanor SolarPlanet teve os seus dias de glória no ano passado, quando deu a volta ao mundo, de forma totalmente ecológica. Agora, ele vai ter uma nova vida ao tornar-se na embarcação de pesquisa de uma equipa de cientistas da Universidade de Genebra, que estuda a resposta da Corrente do Golfo às mudanças climáticas.
Uma das grandes vantagens do Turanor é o facto de ele não produzir emissões poluentes. Esta característica vai permitir, pela primeira vez, que os cientistas recolham amostras livres de substâncias poluentes, como combustível diesel.
“Assim que ele começar a medir as emissões em mar aberto, poderemos ter quase 100% de certeza de que essas são as reais emissões do oceano e não emissões influenciadas pela chaminé de um navio”, disse Martin Benitson, da equipa de investigação, ao The Guardian.
A equipa irá recolher dados do ar e da água para estudar a Corrente do Golfo – aerossóis e fitoplâncton. A poderosa corrente oceânica transporta água desde os trópicos até aos confins polares do Atlântico, sendo responsável pela transferência de calor das regiões tropicais, mais quentes, para as latitudes mais altas.
Os cientistas acreditam que a desaceleração da corrente, como resultado das mudanças climáticas, poderia conduzir à permanência de temperaturas mais frias na Europa. As alterações projectadas poderiam também produzir furacões mais intensos ao longo da costa leste dos Estados Unidos.
A viagem de pesquisa oferece assim uma nova oportunidade de vida a uma embarcação que sobreviveu à sua finalidade original – o que não deixa de ser um excelente exemplo de reutilização dos recursos disponíveis.

5 de julho de 2013

Ambientalistas desiludidos com nova PAC por violar promessa de agricultura sustentável

Quatro organizações ambientalistas criticaram hoje o acordo relativo à reforma da Política Agrícola Comum, por ter ficado aquém das promessas de uma agricultura mais sustentável e favorecer “os interesses ligados à agricultura intensiva”.
O acordo entre os ministros da Agricultura da União Europeia (UE) alcançado na semana passada, em Bruxelas, “representa a incapacidade dos decisores políticos europeus para cumprir as suas promessas de uma agricultura mais sustentável”, defendem a Quercus, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e a Agrobio, num comunicado conjunto.
Para os ambientalistas, “o resultado é uma política agrícola que vai continuar a poluir os solos, a consumir demasiada água, a prejudicar a biodiversidade e a provocar o abandono dos meios rurais”.
Entre as medidas que ficaram aquém do que se esperava encontra-se a introdução de áreas de foco ambiental (EFA), que tinham “potencial para garantir espaço para a natureza nos meios agrícolas da Europa”, mas cuja área mínima foi fixada “num valor muito baixo (5% das explorações agrícolas).
Além disso, “os decisores expandiram a lista de tipos de uso do solo elegíveis para cultivos que não são benéficos para a biodiversidade e isentaram muitos agricultores desta obrigação”, adiantam num comunicado.
Lembrando que os Estados-membros têm flexibilidade para implementar o novo regulamento, os ambientalistas pedem ao Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT) que “não aplique todo o dinheiro nos regadios do Alqueva e na agricultura intensiva” e “guarde uma grande fatia para apoiar os modos de produção sustentável e a Rede Natura 2000”.

2 de julho de 2013

Trocar Lisboa por um monte na Costa Vicentina

Muitos querem-no, mas poucos têm a coragem ou sapiência para o fazer: deixar a vida stressante da capital e abraçar o Portugal rural apostando na agricultura biológica. Rui Rodrigues é um dos casos de sucesso, como pode ver neste episódio do Economia Verde.
Durante anos, Rui trabalhou na área da publicidade, em Lisboa. No ano passado, decidiu comprar um terreno uns quilómetros mais a sul. “Do desenho de anúncios para um novo desenho das terras do Rogil foi um pulo”, explica ele no seu site, Herança Rural. Foi em Rogil, inserido no concelho de Aljezur, Costa Vicentina, que a família Rodrigues escolheu viver nos próximos anos, dando uma volta de 180º na sua vida.
“Temos de pensar que não comemos papel nem parafusos. Alimentamo-nos de vegetais, carne e peixe. Estar independente na parte da alimentação é, para mim, bastante importante, deixa-me tranquilo”, explica Rui Rodrigues ao Economia Verde.
Hoje, a Herança Rural garante a distribuição de cabazes biológicos a mais de 100 clientes, na região do Sudoeste Alentejano mas também Lisboa. A marca tem também um contrato de exportação de abóboras a um comprador alemão, ao mesmo tempo que vai plantando morangos, alface, beterraba, pepino, curgete, cebola, espinafres, rabanetes e manjericão verde e roxo. Um cabaz destes produtos custa €10.
Quanto mais tempo passa na terra, mais se convence que é preciso apostar nos produtos da zona. E dá um exemplo. “A batata doce de Aljezur é considerada a melhor batata doce do mundo, mas a maioria das pessoas já estão a produzir batata doce chinesa, porque dá para fazer duas campanhas por ano. O amendoim é igual, qualquer dia não se faz em Portugal”, avança o neo-agricultor.
“Estamos a perder esta história e não partilhamos esta herança, esta ruralidade. Queiramos ou não, somos um povo de pesca e agricultura”, avançou. Os próximos passos são abrir um agro-turismo e promover iniciativas pedagógicas