A imprensa europeia questiona-se hoje sobre as consequências do sucesso
do referendo suíço contra a imigração, nomeadamente as relações da
confederação helvética com a União Europeia.
O "sim" ao endurecimento
da política de imigração suíça, que prevê restrições que abrangem
cidadãos de países da União Europeia, ganhou com 50,34% dos votos, num
referendo em que a participação superou os 50%.
Em França, o jornal Les Echos invoca "um resultado com consequências económicas difíceis de prever".
O
jornal francês Libération escreveu que com esse resultado, "os suíços
fecham as fronteiras". O politólogo Jean-Yves Camus refere numa coluna
de opinião que "o egoísmo económico é a principal componente deste
voto". "Os Suíços votaram para a instauração de quotas", anuncia por seu
turno Le Figaro.
Para o jornal L'Humanité, "a extrema-direita de Blocher conseguiu fazer adoptar "uma drástica tampa na imigração".
"Imigração em massa: os suíços dizem stop", resume o jornal gratuito Metronews.
Na
Alemanha, o jornal Die Welt estima que "a Suíça deve rever a sua
proximidade com a UE". "Continuar assim não é uma opção. O (partido
nacionalista) UDC vai aprender como é difícil separar os aspectos
positivos dos contratos bilaterais com Bruxelas dos aspectos
indesejados", sublinha o diário.
Já o Berliner Zeitung mostrou-se
mais compreensivo: "Os que criticam o medo de serem invadidos por
estrangeiros deveriam pelo menos reflectir sobre o facto de na Suíça, a
percentagem de estrangeiros ser, com 23% da população total, quase três
vezes superior à da Alemanha."
O belga Le Soir apresenta um título
provocatório: "Os suíços para os europeus: fora!". O jornal francófono
nota que "toda a estrutura dos acordos bilaterais da Suíça com a Uni
ão
Europeia vai desmoronar-se".
Em Espanha, o El Pais publicou na sua
página de Internet que "o resultado vai forçar a União Europeia a
repensar a sua estreita relação com a Suíça e pôr fim à livre circulação
de pessoas em vigor desde 2002". Este referendo "abrirá uma crise
política séria entre os dois interlocutores", lê-se.
Na sua versão
em papel, o El Pais publica um editorial intitulado "Consequências
perversas", no qual afirma que "a vitória dos opositores à imigração em
massa na Suíça terá consequências para todos na Europa".
"Não
apenas isso colocará em questão o acordo sobre a livre circulação de
pessoas estabelecido com a UE, como reflecte também a agitação populista
e xenófoba que percorre o velho continente a menos de três meses das
eleições europeias". "Trata-se do pior resultado possível para a maioria
dos políticos e empreendedores suíços".
Para o jornal ABC, este
referendo "coloca em perigo os laços (da Suíça) com a União Europeia".
"Este resultado surpreendeu a classe política e representa um duro golpe
para a política europeia do Conselho Federal, que deve agora repensar
as suas relações políticas com a UE", escreveu.
Sem comentários:
Enviar um comentário